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Guantánamo, tortura e desprezo ao ser humano.

Li recentemente o livro “Diário de Guantánamo”, de Mahvish Rukhsana Khan, uma advogada e jornalista norte-americana de ascendência afegã, que se dispôs a servir de tradutora entre advogados e prisioneiros de várias nacionalidades trancafiados na famosa base militar da “guerra contra o terror”. Para quem não sabe, Guantánamo é uma ilha em Cuba que serve de base militar para os Estados Unidos. Durante o Governo Bush, ela começou a ser utilizada sem qualquer respeito à convenção de Genebra ou às leis norte-americanas para aprisionar sem julgamento “combatentes inimigos”.

O tratamento recebido:

guantanamo prisioneiros

Guantanamo detainee AP

O primeiro dos muitos problemas de Guantánamo é a forma que os Estados Unidos adotaram para localizar seus inimigos: pagando recompensas em dinheiro. Como não faziam um julgamento sério e mal checavam as denúncias. vários médicos, comerciantes, entre outras pessoas que não tinham qualquer ligação com a Al-Qaeda ou com o Talibã, foram “entregues” por inimigos locais ou simplesmente por pessoas precisando de uma graninha extra para sobreviver em meio ao caos econômico de seus países.

Tratados por números e não pelos nomes, a maior parte dos prisioneiros de Guantánamo não era culpada. Mas eram sistematicamente torturados, humilhados, violentados, tendo suas crenças e culturas profanadas, nenhum contato com a família e sem condições mínimas de sobrevivência. Eles, aliás, não tinham direito a nada. Mahvish, a autora do livro, decidiu ajudar como tradutora, os advogados interessados em tratar esses prisioneiros como seres humanos diante dos horrores promovidos pela administração Bush na ilha. Lá, ela ouviu histórias e relatos para deixar qualquer ditador sanguinário orgulhoso.

Foto de Mahvish:

mahvish

O que eu li nesse livro é assustador. Faz os Estados Unidos parecerem um desses países que tanto condenam. Aliás, parecem piores. Nos próximos posts, vou publicar aqui trechos de alguns desses relatos. A leitura de Diário de Guantánamo é para estômagos fortes mas é essencial para a compreensão dos equívocos e horrores praticados sob o pretexto da “guerra contra o terror”.

por Mauro Bedaque Post : mtv.uol.com.br